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Polícia

PM da Bahia é a que mais mata só não estupra: PMs do Amazonas são acusados de estuprar indígena amamentando

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Enquanto isso, no extremo oposto do mapa, no Amazonas, cinco agentes  quatro policiais militares e um guarda municipal  estão envolvidos em um escândalo brutal: são acusados de estuprar repetidamente uma mulher indígena da etnia Kokama, de 29 anos, enquanto ela estava sob custódia na delegacia de Santo Antônio do Içá, entre novembro de 2022 e agosto de 2023. A vítima, que acabara de dar à luz, foi mantida presa com o filho recém-nascido em uma cela improvisada e, mesmo amamentando, foi violentada diversas vezes pelos agentes. Os abusos teriam ocorrido com frequência, muitas vezes em grupo, sob ameaça e após forçarem a vítima a consumir bebidas alcoólicas. Três dos PMs e o guarda municipal foram presos neste sábado (25), em diferentes cidades do Amazonas. Outros dois policiais, que estão de férias ou afastados, ainda não foram localizados, mas devem se apresentar nas próximas horas, segundo o Ministério Público do estado.

O caso revela mais uma vez o abismo entre a população marginalizada e o aparato de segurança pública. Enquanto na Bahia a PM mata com frequência, no Amazonas, policiais estupram sob o silêncio das celas. A mulher indígena foi mantida em uma delegacia sem estrutura para receber mulheres presas e dividia espaço com homens detidos. Mesmo após o parto, permaneceu no local por meses, sem acesso a condições mínimas de segurança ou dignidade. Laudos médicos confirmaram os abusos físicos e psicológicos sofridos, e a vítima entrou com ação judicial contra o Estado pedindo indenização e suporte psicológico.

Na Bahia, a letalidade policial ganhou mais um capítulo recente e revoltante: um homem de 33 anos morreu após ser brutalmente agredido por policiais militares com cassetetes durante a festa de aniversário da cidade de Santa Luz. Testemunhas relatam que a vítima, já rendida, foi espancada até cair desacordada. Levado ao hospital, não resistiu aos ferimentos. O episódio reforça a imagem de uma PM que atua com extrema violência, mesmo em eventos públicos e festivos, sem qualquer contenção proporcional. Em 2024, foram quase cinco mortes por dia cometidas por agentes da polícia baiana a maioria envolvendo jovens negros da periferia. Em vez de políticas de redução da violência, o que se observa é um incentivo à produtividade medido por números de confronto e prisão muitas vezes às custas da vida de inocentes.

O cenário vivido na Bahia e no Amazonas é reflexo de uma estrutura policial marcada pela impunidade, pelo abuso de poder e pela ausência de fiscalização efetiva. No Amazonas, a violência assume outra forma, igualmente brutal: a sexual. O estupro de uma mulher presa, indígena e amamentando, expõe o que há de mais cruel na atuação de agentes que deveriam garantir segurança e respeito à lei.

A resposta das autoridades até o momento foi a prisão de parte dos envolvidos e a abertura de investigações, mas familiares da vítima já denunciaram tentativas de intimidação. A expectativa é que os demais acusados se apresentem nos próximos dias e que a Justiça siga com o processo criminal, que pode resultar em penas de até 30 anos de prisão para os envolvidos. Em Salvador, movimentos sociais preparam atos exigindo mudanças urgentes na política de segurança do estado e a responsabilização de agentes envolvidos em execuções e abusos.

Enquanto isso, a pergunta que ecoa entre ativistas e defensores dos direitos humanos é: até quando? Até quando policiais continuarão matando e violentando com a certeza da impunidade? Se na Bahia a farda é sinônimo de letalidade, no Amazonas ela se tornou instrumento de violência sexual. A diferença é apenas o método. O resultado, para as vítimas, é o mesmo: dor, trauma e silêncio